Radar do FAROL13 notas

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Modelos

Governo da Suécia bloqueia ChatGPT e Claude nos computadores de trabalho e deixa só o Microsoft Copilot

A partir desta segunda-feira (26/10), a Regeringskansliet, a sede administrativa do governo sueco, bloqueia o acesso ao ChatGPT e ao Claude pelos computadores de trabalho; a única ferramenta aprovada é o Microsoft Copilot, que passou por revisão e teve as configurações de segurança reforçadas. Parte da equipe continua a usar os dois modelos por uma plataforma interna de assistentes, sem número divulgado. O diretor de digitalização, Mikael Wettercrantz, citou exemplos de uso problemático, tanto na sensibilidade do que foi digitado quanto no tratamento das respostas. A Agência Tributária e o Conselho Nacional de Cuidados Institucionais já tinham restrições parecidas, e uma auditoria interna da Administração de Transportes achou cerca de 10 serviços de IA em uso arriscado. O Digit observa que o Copilot inclui modelos Claude desde o início de 2026 (desligados por padrão na União Europeia) e que o governo não disse se estão ativos na sua instalação. Cybernews às 05h06 e Digit às 01h12 (Brasília).

Modelos · cybernews · governo, seguranca-da-informacao, suecia, claude, chatgpt, copilot

Moonshot pede desculpas pelos limites do Kimi K3.1 Pro e devolve 25% da cota mensal a todos os assinantes

A Moonshot reconheceu limites de uso e consumo desnecessário de cota no plano de assinatura do Kimi K3.1 Pro e anunciou uma reposição única para todos os planos: 25% da cota mensal, o equivalente a uma semana de uso (quem gastou menos de 25% volta a zero). Também mudou os parâmetros do plano e diz que vai reduzir chamadas desnecessárias a subagentes e o tamanho das respostas. Post das 17h14 de 25/10 (Brasília), com cerca de 500 mil visualizações; ficou fora da rodada anterior.

Modelos · x · kimi, moonshot, assinatura, cota, subagentes

Ferramentas e código

PaperPilot: ferramentas de PDF em Rust que rodam localmente, com servidor MCP para Claude e Cursor

O mesmo motor em Rust roda como servidor MCP (paperpilot-mcp, para Claude Desktop e Cursor), linha de comando, app de desktop e página no navegador por WebAssembly, sem Chromium, sem runtime C++ e sem enviar arquivo para a nuvem. A versão 0.6 junta, divide, gira, reordena e comprime PDFs, extrai texto, faz OCR em Rust puro (PaddleOCR via rten), põe marca d'água, valida e remove assinaturas, procura dados pessoais e sanitiza; o roteiro prevê PDF para Markdown e JSON na 0.7 e para Word, Excel e PowerPoint na 0.8. Repositório criado em 28/09, com cerca de 350 estrelas e mais de 1.500 commits; 151 pontos no Hacker News, onde entrou à 00h29 de 26/10 (Brasília).

Ferramentas e código · github · mcp, pdf, rust, wasm, local-first, ferramentas

Pesquisa

Agentes com MCP sob falhas reais de ferramenta: nota de conclusão cai 60%, e o modelo maior não resiste melhor

Os autores criaram o MCP-Injector, middleware que injeta falhas no caminho das chamadas MCP (permanentes, transitórias e intermitentes), calibrado pela distribuição de incidentes de 57.240 issues e pull requests de 1.774 repositórios MCP públicos. Em 1.350 execuções com dois tamanhos de gpt-oss (20B e 120B) e três pilhas de agente (plan-and-execute próprio, OpenAI Agents SDK e LangChain), o perfil de falhas permanentes derrubou a nota de conclusão de 8,08 para 3,23 em 10. O modelo de 120B não preservou mais da sua nota (p = 0,96) e completou menos tarefas sob falha (91,1% contra 95,6%). As pilhas diferem entre si, e o tratamento de erro do framework pesou mais que o tamanho do modelo. Aceito na NeurIPS 2026; código e dados abertos. Lote do arXiv anunciado às 21h de 25/10 (Brasília).

Pesquisa · arxiv · mcp, agentes, tool-calling, robustez, benchmark

Auditores de vulnerabilidade com LLM aceitam garantias falsas da análise estática e perdem até 19 pontos de detecção

Num analisador intraprocedural para C/C++, os autores auditaram 916 pares de funções vulneráveis e corrigidas do PrimeVul com 11 configurações de modelos de quatro fornecedores (16.572 auditorias), variando só as notas que o analisador entrega. Evidência verdadeira quase não ajudou (+0,02 de acurácia). Evidência falsa agiu de forma assimétrica: garantias falsas de que uma checagem existe baixaram em até 19 pontos a detecção de vulnerabilidades reais, enquanto alarmes falsos nunca baixaram a acurácia de forma significativa e foram contestados com muito mais frequência; a replicação com sete modelos novos confirmou (assimetria média +0,16). Instruções no prompt não resolveram; verificar cada alegação numa chamada separada subiu a acurácia em 12 pontos (p = 0,002). Conclusão: conferir as garantias da ferramenta antes de o modelo se apoiar nelas.

Pesquisa · arxiv · seguranca, analise-estatica, llm, auditoria-de-codigo, deferencia

Código otimizado por LLM roda mais rápido e gasta mais energia: 42 de 44 configurações perdem para a solução humana

Com 11 modelos abertos em quatro configurações de decodificação, nos 1.000 problemas do EffiBench e medição de energia por processo no hardware, a inferência gastou de 0,79 a 8,68 MJ por par modelo e variante, o equivalente a 250 a 2.800 consultas ao GPT-4.1. Limitar o máximo de tokens de saída foi o que mais cortou energia (até 69%). Na execução, 42 das 44 configurações geraram código que consome mais energia por problema que a solução humana de referência, de +4% a +886%; as duas exceções só empatam depois de 10^6 a 10^7 execuções. Modelos de mistura de especialistas gastaram bem menos que densos do mesmo tamanho, sem perder correção. Aceito no ICSE 2027.

Pesquisa · arxiv · energia, sustentabilidade, otimizacao-de-codigo, llm, moe

Agente de código numa empresa de robótica industrial: sem ganho de produtividade, exceto em código repetitivo, e curva de aprendizado forte

Estudo de caso em dois dias de trabalho numa pequena empresa que programa robôs industriais em linguagens de fabricante e depende de simulação visual. O agente não deixou os engenheiros mais produtivos, com a exceção de uma tarefa de código muito repetitivo. Os resultados melhoraram ao longo do tempo, à medida que os engenheiros aprenderam a usar o agente e ele foi adaptado ao domínio, e a experiência com IA pesou mais que a experiência em robótica. Os autores concluem que agentes não são plug-and-play, que é preciso treinar a equipe e prever a curva de aprendizado, e que estudos de produtividade precisam ser longitudinais.

Pesquisa · arxiv · agentes, produtividade, robotica, engenharia-de-software, adocao

HarnessMM: reaproveitar decisões já tomadas corta de 30% a 88% dos tokens por tarefa em harnesses de agente

Harnesses de agente chamam o raciocínio do modelo de novo a cada retorno de ferramenta, mesmo quando uma chamada anterior já fixou a próxima ação. O HarnessMM guarda essas decisões em grafos executáveis (ação, argumentos literais, dependências e condições) e as reaplica na fronteira entre modelo e ferramenta, chamando o modelo de novo só diante de decisão semântica nova ou evidência sem suporte; a configuração é refinada por ciclos de autoaperfeiçoamento, sem mexer nos pesos. No HumanEval, manteve o Codex em 90,82% de acerto com 29,5% menos tokens por tarefa (66,7 mil para 47,0 mil); no harness do DeepSeek, o acerto subiu de 71,4% para 85,7% e os tokens caíram 88% (96,3 mil para 11,6 mil).

Pesquisa · arxiv · harness, agentes, tokens, eficiencia, context-engineering

Comunidade

CEO da IBM: modelos abertos chegam a 90% do desempenho por 10% a 25% do custo por token, e a demanda por IA local cresce

Na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, Arvind Krishna disse que em 2024 um modelo fechado de ponta fazia 70 num benchmark amplo e um aberto, 20 ou 30; no fim de 2025 a distância caiu para 70 contra 50, e hoje os abertos entregam 90% da eficácia a 10% a 25% do custo por token. Resumir e-mail, examinar contrato e atender ligação, segundo ele, cabem no modelo barato, e a IBM vê demanda crescente por infraestrutura local de dois ou três racks; o gargalo é achar quem cuide de kernel, rede e cache. A receita do trimestre foi de US$ 17,1 bilhões (+5%), com software a US$ 7,8 bilhões (+9%). Texto de 22/10; foi ao Hacker News às 22h47 de 25/10 (Brasília) e chegou a 273 pontos e 164 comentários.

Comunidade · theregister · modelos-abertos, ibm, on-prem, custo, empresas

Toyota planeja US$ 6,4 bilhões por ano e 400 mil robôs para virar empresa de robótica

Segundo o Financial Times, a maior montadora do mundo quer se tornar uma empresa global de robótica, com um plano de investimento de US$ 6,4 bilhões por ano e 400 mil robôs, a começar pelas próprias fábricas, onde o ambiente é mais fácil de controlar. A Walden Robotics, spinoff de IA e robótica da Toyota, foi apresentada em julho com avaliação de US$ 1,1 bilhão e US$ 300 milhões captados; analistas do Goldman Sachs estimam que a Toyota pode ter de 3% a 8% do mercado de humanoides em 2035, contra Tesla, Xpeng e Hyundai. Investidores lembram que a empresa já frustrou expectativas com carros a hidrogênio e baterias de estado sólido. FT à 01h40 e The Decoder às 06h18 (Brasília).

Comunidade · the-decoder · robotica, humanoides, toyota, industria, automacao

Firmas de alta frequência como Jane Street e Hudson River gastam bilhões em computação para IA e constroem data centers

Reportagem da Bloomberg resumida pelo The Decoder: um executivo estima que o gasto com computação das firmas de alta frequência está 10 a 20 vezes acima do de antes do ChatGPT. A Hudson River Trading gasta US$ 1 bilhão por ano com IA, segundo o chefe de IA Iain Dunning, e fechou contrato plurianual com a CoreWeave; a Jane Street investiu US$ 1 bilhão na CoreWeave, comprometeu US$ 6 bilhões com os serviços dela, tem um data center no Texas com mais de 4.000 GPUs Nvidia, liderou a rodada da Etched e é a primeira cliente do chip dela. A XTX Markets constrói data center na Finlândia. O risco citado é o custo subindo e os chips envelhecendo rápido. The Decoder às 06h49 de 26/10 (Brasília); a reportagem da Bloomberg é de 22/10.

Comunidade · the-decoder · computacao, data-centers, mercado-financeiro, coreweave, chips

M.G. Siegler testa o Bee da Amazon: aparelho de US$ 75 que ouve tudo, resume as conversas e já identificou a família dele

Siegler comprou o Bee (US$ 75), um vestível de um botão só, sem tela nem alto-falante, que escuta o dono e quem fala com ele e devolve resumos e sugestões de tarefas no app. Depois de um cadastro rápido da voz, o aparelho deduziu sozinho quem eram os familiares, com nomes e o que cada um queria; num caso real, o resumo da conversa com o barman confirmou a versão dele numa cobrança indevida de hotel. A luz verde de atividade é pequena e fica escondida sob a manga. Ele diz não saber se todas as grandes empresas vão copiar o produto ou se ele vai ser barrado, e lembra que a Amazon diz que o Bee não grava, definição que deve ser contestada. Texto das 20h26 de 25/10 (Brasília); o lançamento do Bee Frontier e do Bee Eclipse já está na base (16/10).

Comunidade · spyglass · wearables, amazon, privacidade, assistentes, hardware

Venkatesh Rao: o pânico com a IA é um mercantilismo cognitivo, que trata inteligência como estoque escasso

A partir de The Relentless Revolution, de Joyce Appleby, Rao compara o medo da IA às crenças mercantilistas: a inteligência vista como recurso fixo a acumular, gente comum que não se pode deixar pensar sozinha, foco só na oferta e a suposição de que a maioria não serve para muito. Como na agricultura, que liberou a maior parte da população sem criar bocas inúteis, a maioria das pessoas pode deixar de produzir inteligência e passar a consumi-la, e a demanda por inteligência cresce à medida que o custo cai. Ele propõe uma revolução industriosa cognitiva, em que o retorno da atenção sobe e as pessoas passam a pensar mais por vontade própria, e uma política do trabalho que pede acesso justo à inteligência abundante. Publicado às 16h19 de 25/10; 69 pontos e 72 comentários no Hacker News na madrugada.

Comunidade · contraptions · ensaio, economia, trabalho, demanda, abundancia